terça-feira, 27 de abril de 2010

Alice

Eu ainda não vi Alice. Na contramão de amigos, conhecidos e filhos que já viram, eu ainda não. Enquanto o meu mundo corria para ver Alice, fui ver Chico com um amigo bacana que ao final da sessão me revelou que já tinha visto o filme (que banho de água fria!!). Também pegamos uma sala cheia, mas em todos os lugares só se fala de Alice e eu fiquei meio sem assunto. Sem assunto? Definitivamente não. Eu conheço Alice e um pouco do trabalho do Tim Burton. Não posso falar sobre o filme Alice,mas sobre o livro... Gosto antes mesmo de virar modinha, como bem diz a minha filha.
Alice é uma menina que está entrando na adolescência ou que resiste a ela. Pode ser uma tremenda viagem alucinôgena,iniciação sexual... Cada um tem o direito de escolher o seu ponto de vista e sustentá-lo. Eu escolhi uma forma de interpretar e foi essa que deixei na dedicatória do livro que dei para minha filha (ah, eu gosto de dar livros e amo mais ainda fazer e ler dedicatórias).
Para mim, Alice é um sonho, o encantamento pelas transformações ou o susto que elas provocam. Ao longo da viagem pelo espelho, ela cresce e aprende a enfrentar o desconhecido e a colecionar amigos esquisitos. Crescer é um pouco isso (em especial, colecionar maravilhosos amigos esquisitos,rsrsrs):assustador, mas inevitável, exceto para os seguidores de Peter Pan, o bobinho que faz birrinha e não cresce de jeito nenhum.
Voltando ao filme e ainda segundo me contaram e a própria crítica está marcando isso, Burton parece ter errado ao colocar uma Alice com 19 anos. A sua escolha, ainda segundo dizem, deve-se ao fato de que queria sua atriz preferida no papel. Mas e aí lá vou eu na contramão, será só isso mesmo? Conversando com minha filha e estimulando-a a publicar seu post sobre Alice, começamos a falar sobre crescimento e comecei a questioná-la sobre as dificuldades de crescer e como cada vez mais a gente se infantiliza mais e estimula nosssos filhos a crescerem um pouco como a turma do Chaves e nós como a bruxa do 71. Perdemos a inocência, a pureza, passamos a ver tudo com olhos de tédio, mas não deixamos de ser crianças. Talvez a lição do filme de Burton seja exatamente o contrário: podemos deixar de ser crianças sim, mas não devemos perder a inocência. Para mim ele fez exatamente isso em Edward e James e o pêssego gigante e por que não poderia também ter tentado fazer em Alice?
A inocência é a nossa capacidade de admirar e sempre poder ter os olhos maravilhados, como Alice os têm no contato com o país das Maravilhas.É a inocência que mantem nossa alma jovem, que revigora relacionamentos e que dá a rotina um gostinho de bala de hortelã.
Leela.

Um comentário:

  1. Achei o seu post sobre Alice muito bom. Alice apesar de uma viagem nunca deixou de conter mensagens interessantes, chega até a ser um livro de auto ajuda que mostra como uma pessoa pode superar obstáculos, mesmo que tudo pareça estranho demais.

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Escrever é troca e essa troca muito me interessa.