Gosto de João do Rio e não me canso de ler e reler suas crônicas. Algum tempo atrás, reli "O bebê de tarlatana rosa", incentivada por uma postagem numa comunidade do orkut da qual faço parte. É uma crônica um pouco macabra de carnaval, mas não é da crônica que eu quero falar. Quero falar de flanar. É,flanar, o perambular com inteligência, que foi muito bem definido por João do Rio na crônica "A Rua".
Gosto de flanar. E muito. É o dia que tiro para recarregar minhas baterias. Não quero e nem desejo companhias. O celular fica fora da área de cobertura ou desligado e os destinos são mais incertos ainda do que geralmente já são, pois como tenho um senso de direção que fica abaixo do zero...
Não, definitivamente não sou misantropa. Adoro gente. Adoro rua, movimento, mas têm dias que eu quero sossego dos outros. Quero ir aonde me der na telha. Não quero ouvir opiniões e nem passar horas negociando destino, o que fazer e quem vai. Quero simplesmente a minha presença.
Nesses dias quero ter tempo para olhar para o alto, para as pessoas, saborear minhas esquisitices e ou ampliar o leque delas. Entrar num cinema sem saber muito bem o filme que está passando. Não quero justificar minhas escolhas. Não quero cumprir agenda.Possso ir para o para o Centro e colocar meu nome na lista de espera para o teatro e nem me incomodar se vou ou não conseguir o ingresso, mesmo depois de ter esperado em torno de 5 horas.Ficar na confusão do Saara e observar o tumulto. Ir à praia,caminhar no calçadão ou colocar a cadeira e ficar observando o mar. Quero ter o prazer de saborear o café até o último gole e ficar sentada mesmo depois de ter terminado. Entrar numa livraria, pegar um livro e ficar largada no chão sem a menor preocupação. Olhar um quadro por 10 minutos e nem prestar atenção no outro. Experimentar calmamente toda a loja de roupas... Andar sem pressa de chegar, até porque o objetivo não é chegar, mas observar, pensar...
Flanando descubro a cafeteria que serve a melhor cuca de banana que já comi na vida (ah, e sem açúcar), o livro que está na minha cabeceira, o filme inesquecível, a roupa que me deixou quase poderosa e observo os contrastes da cidade. Coleciono estórias para contar e descubro lugares legais que depois levo quem eu gosto.Flano muito e volto sempre flutuando para o convívio com os meus.
Apoio, incondicionalmente, adepto que sou, e a bem da paz íntima toda e qualquer "flanação"! rsrs
ResponderExcluirbjinhos