segunda-feira, 12 de julho de 2010

Consultoria -parte 1

Estou pensando em criar uma consultoria ou até entrar nesse ramo de auto-ajuda. A minha especialidade seria algo assim como sair de um relacionamento sem sofrer muito. Nesse ramo sou especialista. Posso não ter muita habilidade para engatar um relacionamento, mas terminar estou fazendo em alto estilo e o pior, dando consultoria.
Ando recolhendo estórias aqui e acolá e tenho percebido como as pessoas no geral sofrem quando acabam seus relacionamentos. Calma, muita calma, porque eu também sofri: acho que chorei a ponto de encher o reservatório do Guandu o que me garantiu uma cara inchada por algum tempo. Tive de desistir de chorar quando comecei a perceber que depois de certa idade, chorar pode ser muito perigoso para a aparência. Então tentei me limitar ao olharzinho de tristeza, mas a vida continua. Não me isolei. Muito contrário: procurei os amigos mais chegados e contei minha situação delicada. Pedi um pouquinho de compreensão a todos e fui tocando minha vida. Quando vi, estava até animadinha com um amigo de vida inteira. Bingo.
Durante algum tempo, até me pegava pensando no ex e acho que pensar não é o problema. Um relacionamento longo e que foi prazeiroso praticamente até o fim não se tira do peito do dia para a noite. Primeiro eu precisava entender o porquê que ele acabou: avaliar meus erros e acertos.Recuperar meu senso de avaliação. Depois, mas não necessariamente nessa ordem, eu precisava reaprender a viver sem ele. Essa foi a parte mais difícil.Como ver nosso filme preferido, o filme que foi visto e revisto ao longo dos anos de vida em comum e encontrar o silêncio? Fica difícil entender que nessa hora foi a ausência que viu o filme junto comigo. Fica a lembrança de como sempre tínhamos assunto para o mesmo filme. Era o nosso olhar que sabia fazer novidade com a aparente rotina.
Sofri, chorei, mas não me permiti me isolar, sumir do mapa. Continuei produzindo e encontrando apoio nos amigos, filhos e outros companheiros que foram se juntando nessa minha jornada. Encontrar apoio foi a parte mais bonita. Me senti amada. Claro que não era do jeito que eu queria, mas se sentir protegida é muito, muito gostoso. Encontrei muito colo que gosto muito e apoio de pessoas que eu não tinha em tanta conta assim. Nota: preciso rever meu senso de avaliação com relação aos meus amigos.
Aprendi a conversar com a minha solidão. Ah, e descobri que ela é o maior barato. Quem me acha doidinha, ainda não bateu um papo com ela. Um dia desses, comentei com uma amiga como vinha desenvolvendo um papo alto astral com a solidão e ela me perguntou se eu tinha me lembrando de querer saber dela quando ela ia embora. Não, eu não perguntei, porque a nossa solidão só nos abandona na hora da nossa morte. Precisamos entender que, no fundo, no fundo, somos todos sozinhos. A nossa singularidade nasce da nossa solidão.
Na medida do possível, vou apoiando e sendo apoiada e lamentando que as pessoas acreditem ainda que a única possibilidade de existência depois de certa fase da vida é a dois e por conta disso continuem apostando suas fichas em relacionamentos cada vez menos satifatórios e fazendo pactos com a infelicidade. No estilo não sou feliz, mas tenho marido. Acho que o certo é sou feliz porque me tenho e quem quiser que se junte e que me convença então que eu não me basto.

Vênus.

Um comentário:

  1. "Não quero um homem para dividir a vida, quero um para somar". Aprendi isso com uma amiga há muitos anos e adotei como lema. Quando finalmente, meu sonho de cinderela tornou-se realidade e eu beijei o sapo certo, percebi que a solidão não é de fato tão má. Hoje, apesar de completamente feliz acompanhada, me pego de saudades da minha solidão. Uma certa autocomiseraçãozinha até que me confortava. Eu me encaixava nas músicas dor de cotovelo do Chico Buarque, que eu tanto amo. Eu deitava no sofá o fim de semana inteirinho, assistindo tudo o que havia na TV, até começarem os programas de Teleshopping. Eu não tinha fome. E isso sim, era muito bom!

    Beijinhos, doce e brilhante Vênus.

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Escrever é troca e essa troca muito me interessa.