Eu não falo a minha idade. Não é vaidade, mas é porque eu não sei exatamente quantos anos tenho.
Tem horas que me pego criança, a andar de gatinhas, sem saber muito bem como me equilibrar. A criança que senta no chão. Se lambuza de sorvete.Lambe os dedos com vontade. Senta na praia e olha o mar com os olhos de primeira vez. Vê todos os desenhos animados e se diverte pacas. Brinca de casinha. Mexe com os cachorros da rua e se perde na segunda esquina.
Sou a menina que espera o namorado na janela. Que sai acompanhada de uma verdadeira quadrilha. Que adora uma rua e às vezes perde o rumo de casa. Que acha que pode mudar o mundo e se revoluciona a cada instante.
Sou a mulher que se equilibra entre a responsabilidade e a vontade. Que beija os filhos na porta e fala para eles irem com Deus. Que acorda no meio da noite para ver como tudo está.Que passa horas no salão e nunca acha que está bom. Completamente dona do seu nariz, mas que se deixa dominar pela lista de responsabilidades, donde se pode concluir que a última coisa de que é dona é do seu próprio nariz. Que arruma casa, paga contas e reza para o final do mês chegar logo. Que se diverte com as bobagens que ouve. Que gosta de provocar olhares...
Sou a velha mexendo seu caldeirão. A que vê o futuro na borra de café e coleciona sortilégios. Que tem olhos e ouvidos cansados para ver e ouvir muitas coisas. Que, pela experiência e um pouco de vidência, sabe exatamente o que esperar das pessoas. Que todos procuram em busca de conselho e abrigo. Que se perde na conta dos dias e meses. Fala sozinha e vive mergulhada no passado.
Sou alguém que tem memória para as coisas que não viveu e se esquece do que viveu realmente. Então, para que idade, se eu posso ter todas elas?
Vênus. Hoje, se achando uma mulher atemporal. Amanhã posso me achar jurássica ou a frente do meu tempo.
Que legal :D
ResponderExcluirE saímos então de braços dados, pois eu também mudo de idade ao sabor do vento. Beijos!
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