terça-feira, 3 de agosto de 2010

Desamarrando o ponto

O jongo veio para o Brasil trazido pelos escravos, na época do Brasil-colônia. Como os escravos muitas das vezes não podiam falar uns com os outros, a cantoria e a dança eram os recursos usados para a comunicação e talvez dai venha a necessidade da linguagem cifrada, que é a principal característica do ponto. Não é uma dança, mas um conjunto de práticas que inclui dança,música e religiosidade.
Um bom jongueiro não é apenas um dançarino, mas alguém capaz de desamarrar o ponto, que é um verso curto, mas que contem uma espécie de adivinhação e desamarrá-lo significa torná-lo compreensível para os outros participantes. No Rio de Janeiro, dança-se o jongo em roda. É uma dança de par, mas sem contato físico e as umbigadas ou pungas não são lá muito permitidas em alguns lugares, sendo que em outros já o são. As mulheres movimentam as saias, mas sem saírem do lugar e são os homens que se movimentam, numa espécie de corte bem comportada.Cada casal ganha o seu destaque na roda numa espécie de todos têm a sua vez.
Muitos o consideram o avô do samba, mas ele guarda elementos que hoje são vistos também nas cirandas nordestinas e nos desafios dos repentistas.
Na minha opinião, os passos lembram uma dança folclórica árabe conhecida como Khalliggi, mas esta é apenas uma dança feminina, mas também de roda.Sendo que no Khalliggi ocorre o deslocamento da bailarina, o que não se vê no jongo.
O jongo entrou para a agenda ao ser escolhido em 2005, para ser, se não me engano, o primeiro patrimônio brasileiro imaterial.



Vênus. Vivendo intensamente o sincretismo cultural e montando seu caldeirão.

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