Nada melhor do que um cinema para fechar um final de semana. Ainda mais para quem adora a tela grande como eu. Ir ao cinema para mim tem sempre gosto de novidade. Gosto de ir desde com tudo combinadinho do só quero ver esse filme, até aquelas coisas de sair de casa para ir ver o filme que estiver começando na hora que eu botar os pés na bilheteria. Já acumulei decepções e surpresas nas duas situações e confesso que nenhum dvd e home theater de última geração substituem o prazer que sinto de ir ao cinema. Ah, mas isso é assunto para um outro post e eu queria falar um pouco sobre o filme que assisti. Fui ver Origem, com o eterno galã de toda uma geração, o Leonardo de Caprio.
Gostei? Não gostei? Bem, teve gente que sonhou ao meu lado ao longo do filme e eu confesso que gostei e não gostei. Gostei dos conceitos explorados no filme acerca dos sonhos, mas não gostei da forma como a estória foi montada. Como a escolha foi de surpresa, nem tive tempo de ler algo sobre o filme e só no fim dele é que descobri que o diretor é o mesmo de um que gosto muito chamado Amnésia. Esse é um filme de tirar o chapéu e trata sobre as armadilhas da memória e estratégias criadas pelo personagem para se defender do esquecimento. Mais do que isso eu não conto, pois corro o risco de tirar a graça de um filme que eu julgo um quebra cabeça narrativo.
Voltando a origem do post, que é o filme Origem, a narrativa pontuada de efeitos especiais, com uma cidade de Paris dobrando-se sobre si mesma e as lutas estilo Matrix, não me conquistaram. Nos primeiros 15 minutos de filme, até pensei em aproveitar o conforto da poltrona e o ar condicionado na medida e ir ao encontro do mundo dos sonhos, mas os diálogos começaram a prender a minha atenção.
No filme, Caprio trabalha para um poderosa corporação de espionagem que tem como objetivo roubar sonhos, ou melhor, extrair ideias. Até o dia que recebe um desafio: inserir ideias. No caso, implantar a ideia num jovem herdeiro de que ele deveria vender todo o império deixado pelo pai e começar novamente. Recheando tudo isso, muita ação e uma equipe de espionagem entrando cada vez mais fundo no subconsciente do jovem herdeiro e tendo que enfrentar os seus mecanismos de proteção. Afinal de contas, não se entra nos sonhos de ninguém e sai deles impunemente.
Como não era um mero filme de ação, os diálogos me impediram de mergulhar no meu mundo de sonhos e foi ai que me segurei na poltrona e comecei a minha viagem. O filme é uma verdadeira aula sobre sonhos. Nele são explorados boa parte do papel dos sonhos na nossa vida. Sonhos são reelaboração de lembranças, delírios, desejos, material criativo para artistas. Sonhos são sem pé nem cabeça. Qual de nós não acordou após uma noite daquelas povoada de sonhos com a solução para um problema ou com uma ideia? Nos nossos sonhos, resgatamos lembranças ou viajamos para lugares desconhecidos. Sonhos são resgates, formas que o cérebro encontra para apaziguar ou agitar mais ainda as emoções.
O sonho é matéria-prima para psiquiatras e artistas. O sonho pode revolucionar nossa vida para o bem ou para o mal. Podemos mergulhar nos sonhos e querer viver apenas deles e é ai que a realidade perde a graça. Abrimos a porta para a loucura ou arregaçamos as mangas e tentamos estabelecer uma ponte segura entre sonho e realidade? O sonho pode ser o arsenal para viver a realidade, desde que se tenha consciência de que não são todos os sonhos que podem ser postos em prática. O meu sonho pode ser a complementariedade do sonho do outro como o meu sonho pode acabar com o sonho do outro. Sonho pode ser puro delírio, uma explicação para a realidade. Não precisamos lembrar totalmente dele. Os sonhos também sofrem censuras. Sonho é proteção da realidade. Sonho pode abrir as portas para a loucura. Não devemos perder a capacidade de sonhar, mas os sonhos não podem tomar totalmente conta da nossa vida.
Sonhos podem ser tudo. Sonhos podem ser nada. Sonhos podem ser vida. Sonhos podem ser morte, mas eu só sei de uma coisa: não quero deixar que os meus sonhos se percam de mim. Eu sou mais importante que os meus sonhos, porque eu que sou a origem deles e não o contrário.
Vênus. Mulher apaixonada pelos seus sonhos.
Eu também fui assistir a Origem e, apesar de nunca ter tido paciência suficiente para assistir Matrix inteiro, também associei os dois filmes. Havia visto o trailer e portanto, sabia mais ou menos do que se tratava. Gostei do filme, gostei dos efeitos mas, principalmente, gostei da mensagem. Acho seu paralelo perfeito: Somos a origem dos nossos sonhos, não o contrário. Beijim.
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