domingo, 12 de setembro de 2010
Som do coração
Meu coração andou calado,
mas não que ele estivesse machucado.
Eu apenas achei que ele não mais batia.
A coisa foi tão séria,
que emoção eu não mais sentia:
tudo igual, tudo normal, muito racional.
Por um momento achei até que fosse doença,
dessas que levam anos para matar.
Procurei médico, contei meu caso.
Fiz todos os exames e ao final ele
disse para eu ficar calma, pois meu
coração ainda batia.
Voltei para casa mais preocupada ainda:
nossa o meu coração bate, mas eu não sinto.
Minha doença deve ser mais grave do que eu
pensei, ao ponto de eu ser caso único.
Deve ser algo como coração surdo mudo,
já que os meus apelos ele nunca ouvia.
Não sei o que é pior: morrer disso
ou morrer com isso.
Deve ser grave e terminal, pois o médico
nem remédio receitou!
Dia a dia eu conversava com meu
coração e o desespero
me comia,
pois cada vez eu menos o ouvia.
Só me falta essa agora: eu a ter um
coração que só o médico escuta.
Toquei os dias, sempre a levar no peito
o meu coração morto vivo.
Não trocávamos mais palavras e agora estávamos
nós dois surdos e mudos.
Até que um dia a coisa piorou: sinto uma fisgada,
uma dor e quando quase me ponho a gritar,
começo a sentir um leve movimento no meu peito.
Boto a mão e percebo: meu coração voltou a bater!
Se estou curada ainda não sei, mas hoje ando por aí
orgulhosa do coração que bate no meu peito.
Vênus, ouvindo e muito o seu coração.
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