terça-feira, 19 de outubro de 2010

Escrever

Escrever para mim é terapia e prova da minha mais completa insanidade. No papel, as emoções sem razão buscam o entendimento. Ao juntar letras, sou mulher bancando Deus, pois busco escrever e reescrever minha estória minúscula e me coloco no centro das atenções. Ao sabor da grafia, imagino novos contornos, beijo novamente todas as bocas, revejo as cenas de amor, os desentendimentos que não alimentei... Dessa forma, refaço minha lição de casa e literalmente escrevo minha estória. Busco entender aonde foi que errei e me pego escrevendo tranquilamente as palavras que ficaram travadas na minha garganta.
Lá pelos idos de vovó era mocinha, dei aula num projeto experimental de capacitação de trabalhadores e  observava as dificuldades de escrita dos meus alunos. Percebia atentamente as palavras fluírem com clareza e até com determinadas precisões gramaticais  quando eram lançadas ao vento, mas quando precisavam ser esculpidas... O belo discurso virava uma folha de papel em branco. 
Já disse aqui que escrevo para driblar a acomodação. Escrevo o que me marca e num compasso de uma emoção que se torna mais transparente quando lanço no papel: as emoções fazem sinapses, mas ganham também adornos. Belos não sei, mas sinceros... Com toda a certeza.

Vênus, mulher de muitas palavras na garganta, mas de muitas letras. 

Um comentário:

  1. Fazer as letrinhas darem as mãos é sempre uma emoção... não importando a pena ou papel em que elas se juntam...

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Escrever é troca e essa troca muito me interessa.