sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Não

Não me casei de véu e grinalda, pois os meus sonhos sempre foram além do pé do altar.
Não crio meus filhos para mim. Quero que eles cresçam, explorem o mundo em todas as suas possibilidades e encontrem na mãe o riso para a comemoração ou o colo para o acalanto.
Não cultivo falsas inseguranças. Gosto do risco e nele insisto. Prefiro ele a cadeira de balanço da mesmice.
Não me deixo envolver mais.
Não me permito mais a me levar a sério. Gosto do barulho de risos. Ganho o dia cada vez com um deles ecoa nos meus ouvidos e eu me dou conta de que fui eu que o provoquei.
Não gosto de gente séria. Só pode ser louco quem afirma que seriedade dá segurança. Gente séria dá é úlcera.
Não admito briga. A melhor maneira de me perder é começar uma.
Não tenho mais medo da morte, mas acho que enquanto alguém for capaz de se lembrar de mim eu estarei viva.
Não posso me esquecer de ser feliz. Não acredito que ela resida nas grandes coisas. A simplicidade hoje é capaz de aquecer o meu dia.
Não cultivo vícios. Que graça tem a vida se dependemos de alguma coisas para sobreviver?
Não me amarre. Me abrace.
Não me prometa nada. Não me encanto por promessas, e sim, pelo beijo bem dado, o abraço bem apertado e um sorriso bem gostoso.



Vênus. Simplesmente não.

Um comentário:

  1. Delícia de texto. Amei. Parabéns, pela simplicidade desconcertante da tua escrita. Beijim!

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Escrever é troca e essa troca muito me interessa.